Produções colaboradas
Eu sou rabugento quando falo de colaborações. Sou mesmo! Experiências ruins me deixaram bem rabugento em relação a isso. Eu particularmente prefiro não trabalhar com outras pessoas, salvo algumas poucas exceções. As pessoas que mexem com o “independente” geralmente fazem porque gostam, sem nenhuma obrigação. Essa parte eu entendo. Se dá pra fazer faz, se num dá, num faz. É simples assim mesmo. Mas o fato é que de vez enquanto aparece os “empolgados” que ficam “... e vamos fazer assim, aí minha revista será mensal, com trocentos personagens, e vamos publicar e num sei o quê mais lá” e quando dá na semana seguinte já vira “... não, mas é que eu tive um problema com fulano, a conjunção da Lua com a Terra isso, e o meu time perdeu, tomei um chifre da mulher...” blá, blá, blá! Como eu disse, ninguém é obrigado a nada. Faz porque quer e eu tô ciente disso. Afinal, todo mundo tem seus problemas pessoais de fato, coisas do dia-a-dia que acabam te minando. Normal. Eu entendo isso também.
Mas o fato é...
Que quando uma pessoa se une a outras pessoas para planejarem algo, é de se supor que todos cumprirão seus papéis nessa equação, certo? Se você acha que não tá apto, por favor, nem saia da cama. Se você acha que seu time vai perder, ou vai tomar uma galhada da sua companheira, ou a porra Lua não estará em conjunção com a porra do Sol, nem comece. Sei que há percalços de última hora, sei que tem coisas que simplesmente acontecem. Isso é aceitável. Mas o que não gosto é de colaboradores- e eu conheço muitos- que falam, falam, projetam, mas depois acabam abandonando por pura preguiça, ou por conta de uma coisa aqui e ali. É complicado. Cada um, cada um. Posso até tá dando um tiro no pé aqui. Colaborar ou participar de algo requere tempo e no nosso caso,de fanzineiro, tempo E dinheiro. Quadrinho independente não dá grana. O fanzine geralmente nem se paga. Desestimula qualquer um às vezes. Sei que é complicado. Sei como é de verdade. Sou fanzineiro há mais de 10 anos. Já passei por muita coisa. Não sou um idiota que começou na semana passada todo empolgadinho.
Mas é bem frustrante ver projetos parados por conta de terceiros. O que tem de roteiro meu por aí encalhado, que pessoas me pediam todo empolgados “Faz aí pra mim que vou começar é agora” e hoje nem a linha disso eu vi. É chato você parar pra fazer a sua parte e os outros não fazerem as suas. Eu nunca me incomodo de ajudar. Se eu puder, eu ajudo. Tem alguns projetos que participei e que nunca vi nem a cor. Entre eles estão roteiros (muitos), desenhos de páginas, arte-finalizações e etc. Sei que vivemos entre a realidade (contas, família, saúde) e nossos sonhos de produção. E isso é um fator complicado. Beeeeeeeeem complicado. Às vezes fica até impossível enxergar um futuro pra isso. É meio que uma faca de dois gumes. Eu cutuco, mas dou a razão do caso. Mas pra quem quer se tornar profissional, vale lembrar que se você pegar um trabalho, seja pra onde for, o editor daquilo ali num quer saber se tua avó morreu não ou se tua casa tá no chão. Ele vai querer resultados ou tu passa batido. É assim que funciona nesse campo.
Minhas colaborações até aqui se resumiram a essas produções aí. Eu participei de inúmeros projetos, geralmente escrevendo e olha, foram grannnnnnnndes HQs. Digo, no sentido de extenso mesmo. De criar todo um argumento, montar os plots, criar personagens, solucionar diferenças criativas (se bem que nesse ponto eu tive poucos problemas), escrever páginas e páginas pra depois, não ver nada disso. E o pouco que vi, às vezes tava mutilado pelo criador, quase tirando a identidade do meu texto. Em parte eu não ligo. Mas não gosto muito quando eu escrevo um diálogo do tipo: “Eu vou chutar a tua cara, seu escroto!” e o criador vai e tirar o diálogo e coloca: “Eu preciso de amigos. Por isso descarrego todo a minha dor, minha angustia, nesse vilão. Oh, céus. OH, CÉUS”. Putaquepariu! Já aconteceu algumas vezes. Mais ou menos igual a esse exemplo. Me pedem algo do tipo: “Faz algo aí bem foda, num se segura não porque meu personagem é fodão!” e depois fazem isso. Queimação total. Por isso eu meio que sempre torço o nariz pra colaborar e de um tempo pra cá tenho feito ainda menos isso. Fora os ultra perfeccionistas que só falam, mas pouco fazem. As pessoas que colaboro hoje são criadores que estão sim ativamente aí. Na labuta! São pessoas que gosto muito e estão sim produzindo, em ritmo ora rápido, ora devagar, mas tá saindo. Quando chuto o balde falo dos que querem, mas não fazem. Querem ver pronto, mas não querem sentar pra fazer. Eu sou muito mais fã de um cara que nem sabe desenhar um A, mas produz, do o que sabe desenhar toda a superfície de Marte com detalhes, e num faz porra nenhuma. Todas as produções que eu falei aqui no blog, foram ótimas de se trabalhar. Não tive quase ou nenhum problemas em nenhuma delas, a não ser o meu próprio, o Arena, que por conta de colaboradores, teve atrasos gritantes. Infelizmente nem tudo depende de mim.
Colaborar é um trabalho em equipe. Se você acha que pode fazer, faça. Senão, avalie a situação e tome uma posição. Caia fora ou fique dentro. Quando eu não consigo, eu pulo fora. Quando eu acho que dá, eu fico dentro. Simples assim.
Eu disse que era rabugento!
Hahahahahaahahahahahahaha!